вторник, 10 ноября 2009 г.

O dia de unidade popular do povo desunido

Ao acordarem de manhã ou à tarde os russos com o sorriso no rosto percebem em que dia feliz estão – num dia de folga. E só à noite, depois de assistirem ao noticiário na TV, sabem a que são obrigados pela sua felicidade – ao dia da unidade popular.
Pelo menos isto confirma-se por um estudo de opinião de acordo com o qual mais de metade dos russos não está a par do significado da designação da festa que celebram a 4 de Novembro. Contudo as autoridades continuam a afirmar que esse dia tem o estatuto universal nacional, na medida em que toda a gente sai de casa para festejá-lo nos comícios nos centros das cidades, lembrando-se do feito popular em que o povo unido russo, sob a liderança de Kuzma Minin, um comerciante de Nizhny Novgorod e do Príncipe Pozharsky, reconquistaram Moscovo aos polacos.

A bem dizer a causa verdadeira de instituirem essa festa é notória para todos – a vontade de substituir o dia da Revolução de Outubro (7 de Novembro) que foi abolido há muito, mas que continua a ser comemorado por muitos, o que exaspera imenso o Kremlin. É que nesse dia os comunistas têm “o direito ligetimo” de reunir os seus partidários para as manifestões.
Não é a unica razão de haver pouca possibilidade de se poder chamar a esta data o dia da união popular. Pelo menos, enquanto o movimento jovem “Nashi” conclama do patriatismo e da unidade ao mesmo tempo louvando Putin, outros andam pelas ruas vizinhas berrando “A Rússia é para os russos”, num país em que os russos são menos de 70 por cento. Mas o mais importante é que o país tem imensos problemas sociais. Pois de que maneira é possível chamar o país de unido quando apenas um terço da população vive na pobreza e ajudantes dos prefeitos usam relógio de pulso no valor de um milhão de dólares, onde os journalistas são assassinados todas as semanas, onde se elevam os monumentos a efígie de Estaline, onde se organizaram perseguiçoes aos dissidentes?
Os países desenvolvidos têm os próprios dias de unidade que só sublinham a unidade nacional. Na Rússia resolveram seguir o mesmo caminho – criar esse dia para congregar o país em vez de congregar o país para solucionar os problemas fundamentais. Parece que as autoridades ainda não estão preparadas para desistir do relógio de um milhão e para começar a fazer alguma coisa para o povo. Enquanto isso não acontecido a gente contiunará a considerar o 4 de Novembro só como um dia de folga.

O autor é Kiril Kuzmin

13 комментариев:

  1. 12 ноября 2009г состоится премьера спектакля «Молох любви». Спектакль состоится в помещении Литературного Института имени Горького по адресу: г. Москва, Тверской бульвар д.25, аудитория №3(вход со стороны ул. Бронная). Начало в 16.30.

    Пьеса в стихах «Молох любви» написана российской поэтессой Ириной Макаровой в 2009г. и затрагивает события Португальской истории XVI века. Она посвящена национальному герою Португалии королю Себастьяну I и базируется на достоверном историческом материале.
    Пьеса поставлена любительскими силами и силами студентов Литературного института.
    Приглашаем Вас посетить данное мероприятие, которое, несомненно, заслуживает того, чтобы стать событием в культурной жизни и творческой взаимосвязи между Россией и Португалией.

    PR-менеджер
    Соболева Ирина
    Тел. 8-916 621-97-64

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  2. 1. "A bem dizer a causa verdadeira de instituirem essa festa é notória para todos – a vontade de substituir o dia da Revolução de Outubro (7 de Novembro) que foi abolido há muito, mas que continua a ser comemorado por muitos, o que exaspera imenso o Kremlin."


    A causa verdadeira, na minha opinião, foi criar uma data, capaz de substituir o antigo 7 de novembro que foi para pessõas simples, antes de tudo, UM FERIADO, UM DIA DE FOLGA. Não vejo nenhuma exasperação por parte de ninguem, francamente. È que durante décadas as pessoas ficaram acostumadas ao que no início de novembro os espera um dos feriados principais do ano, como o Ano Novo, o 1 e o 9 de maio. Por isso, inventaram um novo feriado para substituir o feriado "comunista".


    2. "onde os journalistas são assassinados todas as semanas, onde se elevam os monumentos a efígie de Estaline, onde se organizaram perseguiçoes aos dissidentes?"


    Bu-ga-ga. Leu demais gasparov.ru? ou grani.ru?
    Amigo, eu vivo na cidade de Rostov-na-Donu que entra na dezena de maiores cidades do país. Pois, se fores capaz de me mostrar onde é que aqui foi elevado pelo menos um monumento em honra de Stalin nos últimos 20 anos, podes atirar pedra em mim.


    3. "Na Rússia resolveram seguir o mesmo caminho – criar esse dia para congregar o país em vez de congregar o país para solucionar os problemas fundamentais. Parece que as autoridades ainda não estão preparadas para desistir do relógio de um milhão e para começar a fazer alguma coisa para o povo."

    Grave na sua memória para sempre: ninguem no mundo inteiro não vai desistir de nada para fazer algo por ti. È o TEU dever.

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  4. Sobre Estaline.
    Tenho em vista a tentativa de elevar o monumento à efígie de Estaline numa estação do Metropolitano de Moscovo. É uma tendência dos últimos anos, não é?
    Sobre kasparov.ru. Ainda não tão louco para ler esses sites :)
    Sobre número três. Talvez tenha razão. Mas não me lembro de que os ajudantes dos prefeitos (ou pelos menos os prefeitos próprios) das tais cidades como Londres, Berlim, Paris ...... usam os relógios no valor de um milhão de dólares, e até depois das indignações públicas continuam a usá-los. Ache que este facto pode fazer algum povo unido? quando os funcionários (com o solário de 500 euros) têm Bentleys e nós próprios temos de pagar os impostos automóveis imensos?
    Kirill

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  5. Sobre Estaline.
    "Tenho em vista a tentativa de elevar o monumento à efígie de Estaline numa estação do Metropolitano de Moscovo. É uma tendência dos últimos anos, não é?"

    Não, realmente, não acho. È a minha opinião.
    Sobre os assassínios dos jornalistas que acontecem "todas as semanas" e, em especial, sobre perseguições aos dissidentes, tambem não estou de acordo. Acho um grande exagero dizer assim. Felizmente, por sinal, não estou sózinho nesta minha convicção : segundo uma das pesquisas da opinião pública recentes (sobre possiveis perseguições de dissidentes), a esmagadora maioria dos nossos concidadãos não acha que haja alguma perseguição. Infelizmente, já não me lembro da fonte, mas, parece, foi uma das organizações sérias que fez a pesquisa.
    Os ajudantes dos prefeitos corruptos não vou defender, mas, acredite, as elites estrangeiras estão muito menos dispostos de cuidar de nós, por isso não compreendo a quem você se queixa, desde que o blog seja em portugues. Quanto aos impostos, muitos e muitos aqui, parece, não os pagam muito bem e a tempo, inclusive eu. Desconfio até que nalguns outros estados já podiamos estar na prisão. E quanto a corrupção. Será que nós tambem não temos culpa disto? Olhe, eu deparei inúmeras vezes com a polícia rodoviária e, pela minha axperiéncia, eles quase nunca pedem dinheiro primeiros. Sugerem sempre seguir as regras, tirar, por exemplo, a carta de condução ou como lá é que isso se chama, e somos nós muitas vezes que acabamos lhes pedindo tomar dinheiro. Alias, nestes casos, a pessõa comum tem sempre oportunidade de seguir a lei. Mas será que muitos de nós próprios optam por isso?
    Quanto aos cites tipo grani.ru, eu as vezes os leio, e acho que autores desses cites muitas vezes apanham bastante nos comentários.
    Talvez o tom do meu comentário tenha o ofendido, mas, acredite, já estou com nojo e até vontade de vomitar por ler esses cliches na imprensa estrangeira.

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  6. A unidade popular, Kirill, começa tambem aqui, mas nunca ficará atingivel até haver artigos que falam com tanto desprezo do nosso país. Se aínda não leu os comentários no blog do sr. Milhazes, leia. Voce discursa como algum nacionalista da ucrània ocidental, adorador de Bandera, presente lá tambem, e cujos antepassados, provavelmente, matavam "moskali" como você e eu e até outros ucranianos. Mas se já está a par de tudo isso, então nunca serei capaz de o compreender.

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  7. "Sobre Estaline.
    Tenho em vista a tentativa de elevar o monumento à efígie de Estaline numa estação do Metropolitano de Moscovo. É uma tendência dos últimos anos, não é?"

    Desculpe, não consegui me conter: a tendéncia dos últimos anos é tentar elevar o monumento à efígie de Estaline numa estação do Metropolitano de Moscovo? Como é? Tentam faze-lo todos os anos, mas não conseguem? È pesado demais? :)

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  8. Caro João Mendonça

    Tal como eu esperava, o seu novo blogue começou logo a ser "devidamente supervisionado" por "anónimos russos" bastante bem informados, que rebatem em 50 linhas qualquer afirmação de 2 linhas de portugueses ou brasileiros sobre a Rússia. À semelhança do que fazem no blogue do José Milhazes, estes "anómimos" não brincam em serviço. Suponho que os leitores sabem que é este o trabalho deles (adequadamente reconhecido na Lubianka). Para comprovar, basta ver as respostas que se seguirão a este meu comentário por parte dos "anónimos russos" de serviço.
    Caros estudantes russos de português, qual é a vossa opinião a respeito destes "senhores" vossos conterrâneos?
    Não acham que seria muito mais saudável intelectualmente se nos pudéssemos ver livres deles?
    Cristina Mestre

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  9. Cara Cristina,

    A Russia e de facto um tema muito sensivel, toda e qualquer opiniao a seu respeito suscita reaccoes muito vivas. Principalmente quando se toca na sua historia recente, cujos trambolhoes dividem uns e outros. Os blogues tem a virtude de dar a conhecer de dentro as idiossincracias de certas e determinadas camadas mentais deste pais. A blogosfera na Russia e o espaco de expressao por excelencia de muita da opiniao publica, de muitos descontentes,de uma parte significativa de intelectuais que nao vai as urnas, e de muita gente que nao exerce os seus direitos civicos, por falta de conviccao, ou por outras razoes.
    O teor de alguns comentarios leva-nos a crer que o blogue e vistado por leitores que comentam com veemencia as noticias do blogue do Jose Milhazes. Por nos, tudo bem, desde que a linguagem seja adequada, e desde que ninguem seja insultado ou caluniado. A todos os nossos leitores agradecemos a atencao que tem presatado aos artigos que os estudantes tem escrito.

    Um abraco

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  11. Cristina комментирует...
    «Caro João Mendonça

    Tal como eu esperava, o seu novo blogue começou logo a ser "devidamente supervisionado" por "anónimos russos" bastante bem informados, que rebatem em 50 linhas qualquer afirmação de 2 linhas de portugueses ou brasileiros sobre a Rússia. À semelhança do que fazem no blogue do José Milhazes, estes "anómimos" não brincam em serviço. Suponho que os leitores sabem que é este o trabalho deles (adequadamente reconhecido na Lubianka). Para comprovar, basta ver as respostas que se seguirão a este meu comentário por parte dos "anónimos russos" de serviço.
    Caros estudantes russos de português, qual é a vossa opinião a respeito destes "senhores" vossos conterrâneos?"



    Ai-ai-ai. Eu pensava que já estava fora da moda acusar alguem de ser um agente de KGB só porque ele tem uma opinião diferente. Pelo menos, na internet russa, parece, que é assim.
    Sim, sra Cristina, eu uma vez tive má sorte de apontar o dedo para um erro da sra como de uma especialista na Rússia, quando a sra disse que Medvedev tão pouco poder tinha que nem podia utilizar os canais centrais da televizão para condenar o estalinismo. Quando na mesma moite (ou na noite seguinte - já não me lembro) liguei a televizão, o programa "vesti", vi logo que a mensagem do presidente no blog dele e o tema das repressões em geral eram o tema principal do programa. Então, entrei no blog do sr. Milhazes e chamei a todos que, antes de opinar, seria bom pelo menos ver a televisão russa. Se tinha ofendido alguem, peço desculpa, mas será que isso é motivo para acusar alguem de ser aquilo que ele não é?


    "Não acham que seria muito mais saudável intelectualmente se nos pudéssemos ver livres deles?"

    Me perdoe, mas essa frase, ao meu ver, é a essencia do estalinismo. O Stalin tambem, deve ser, se sentia mais tranquilo depois de se livrar de mais um daqueles que não lhe agradavam.

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