суббота, 22 мая 2010 г.

Gonçalo M. Tavares, ou Algumas meditacoes sobre a lingua e a cultura



Na quinta feira passada os estudantes do português tiveram uma feliz possibilidade de falar com um dos vultos mais significativos da literatura contemporânea, Gonçalo M. Tavares. Aconselho insistentemente a leitura de todas as obras diponíveis.

A linguagem do Gonçalo M. Tavares é concisa, precisa e elaborada, muitas vezes amarga, o escritor faz-nos ver as coisas de novo, faz-nos ser honestos connosco próprios. O livro perturba nos. Ao focar-se num assunto, quer que seja uma convenção social ou individual, ou seja uma convicção, um comportamento pessoal, o autor aumenta os traços distintivos, levando-os até ao absurdo, e assim revela o valor profundo, primitivo do fenómeno. Tudo isso é feito duma maneira maliciosa e construtiva ao mesmo tempo.

No encontro da Iniciativa da Associação Cultural Europa Viva com apoio do Instituto Camões e da Embaixada de Portugal, Gonçalo M. Tavares abordou os problemas que a divergência de dois mundos traz: o da vida e da língua.

Todos nós sabemos como é difícil nos exprimir com essas sequências de sons, chamadas palavras, o significado dos quais é uma mera convenção da sociedade em que vivemos. As acepções do nosso discurso interior não se encaixam em significados que as palavras contêm. a mesma palavra pode ser entendida de varias maneiras por leitores diversos e até por a mesma pessoa em situações distintas.

Nessa diferença entre o facto e o que esteja dito baseia-se o desentendimento, sobretudo a manipulação politica. O Gonçalo M. Tavares diz que a arte dos políticos é dizer o opósito da verdade e não mentir. Por exemplo, o facto de uma pessoa ter sida expulsa de pais é comentado "O fulano tal foi de viagem".

Mas como cada caso tem dois lados, a divergência entre a vida, a língua e o entendimento vai sendo um fonte de inspiração e de criatividade. Gonçalo M. Tavares aprecia imenso as frases ambíguas "que não se sabem aonde cair". O cargo de escritor e descascar a palavra de acordo humano, de associações vulgares. É chato pensarmos em cadeira ao ouvirmos mesa. É curioso saber que a linguagem das crianças até aos 5 anos é pura de convencionalismo, de lugares-comuns.

Além das razões que já abordei, o desentendimento é causado por diferentes imagens do mundo, criadas por uma cultura. mesmo que se conheça a tradução de cada palavra na frase, acontece que não se pode captar o sentido geral que está escondido atrás da nuvem cultural de imagens ligadas.

Para ilustrar esse tese, Gonçalo M. Tavares pediu os seus ouvintes escreverem 10 palavras associadas com a ideia de Terra. Surpreendidos ficaram os portugueses ao descobrirem as associações de ideias ao cosmos ou ao preto, que é a cor de solo fecundo na Rússia. Da mesma forma, nenhum dos russos presentes não propôs montanha ou colina, à diferença dos portugueses.

Gonçalo M. Tavares deixou a impressão de uma pessoa aberta às inovações, e com profundo conhecimento das vida, da literatura, e ainda por cima simpático e com bom sentido de humor.

четверг, 6 мая 2010 г.

Clube Judáico da MGIMO


Como é sabido, na época soviética, para os judeus o ingresso nas universidades estava condicionado, sendo que eram estabelecidas quotas que lhes limtavam o acesso ao ensino superior. Não lhes passava sequer pela cabeça a possibilidade de um dia entrarem na Universidade de Relações Internacionais- MGIMO, que era na altura a universidade dos filhos da chamada “Nomenclatura” soviética. Mas os tempos mudam, e vivemos numa Rússia que optou pelo caminho do desenvolvimento democrático.
Em março de 2008, lancei a ideia da criação de um clube capaz de reunir todos os judeus da MGIMO. No dia 14 de abril de 2008 aconteceu a primeira reunião. O clube foi baptizado “União dos Estudantes Israelitas” (Clube Judáico) da MGIMO.

A administração da universidade saudou de início a iniciativa, e apoiou-nos, juntamente com a Embaixada de Israel. Deitámos então mãos à obra, e já após apenas um ano de existência recebemos o galardão do “Clube Nacional mais activo da Universidade”, num leque de 25 clubes. Ao longo do segundo ano de existência levámos a cabo 20 eventos, nomeadamente conferências científicas, concertos e celebrações de festas tradicionais tais como “Rosh-ashana”, “Chanuka”, “Purim”, “Pesakh”. Convidámos para vários encontros personalidades da cultura, das ciências, dos negócios, jornalistas, figuras religiosas, tais como o Principal Rabino da Rússia Berl Lazar, o Presidente do Conselho de Rabinos da Europa e da Comunidade dos Países Independentes Pinkhas Goldchmidt, o Embaixador de Israel na Rússia Anna Azari, o Director do Instituto de Estudos do médio- oriente Evgueni Satanovskii, o artista emérito do povo Mark Razovskii, o apresentador de televisão Viatcheslav Flyakovskii, e Elena Hanga, entre outras personalidades, que também nos ajudaram a promover eventos na nossa universidade.

O último foi dedicado aos resultados da última guerra mundial, e organizado pela universidade em conjunto com a Embaixada de Israel na Rússia. Estamos neste momento a obrar para a realização do próximo encontro com Shimon Peres que irá realizar-se no dia 11 de maio.
Os objectivos do nosso clube são: a coesão dos judeus da MGIMO, divulgar a cultura judáica, o estudo de diferentes esferas sociais de Israel, e do povo judáico na MGIMO, e apoio aos estudantes na aprendizagem da língua hebráica.
A nossa organização está aberta a todos os que a queiram integrar, independentemente da religião e da nacionalidade. Dela fazem parte neste momento 90 membros oriundos de 11 países.
O Vice-Reitor para os quadros da universidade, Valeri Vorobiev declarou que “hoje em dia a as relações da administração da universidade com o clube judáico vão de vento em popa”, comparando-o com outras uniões nacionais da MGIMO.
Mas para mim não é o mais importante. Quando vejo judeus da MGIMO com vontade de saber mais, frequentando a sinagoga, respeitando os preceitos e tradições do nosso povo, quando vejo outros estudantes e professores da MGIMO interessados em conhecer melhor o povo judáico e Israel, mostrando um verdadeiro interesse pela nossa singularidade, fico satisfeito e chego à conclusão que todo este trabalho não foi em vão.


David Peleg, estudante do 3º ano de Relações Internacionais.